Vida fora da Terra? Ciência faz descobertas sobre sinais de rádio no espaço

Sinais de rádio que se repetem no espaço intrigam astrônomos do mundo todo. No entanto, a ciência pode ter dado mais um passo para tentar desvendar esse mistério. Pesquisadores liderados por Li Di, professor dos Observatórios Astronômicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências, identificaram uma assinatura-chave das rajadas rápidas de rádio (FRB).

A novidade foi publicada em um artigo na revista acadêmica Science, na última quinta-feira (17). E essa descoberta pode ajudar na busca pela origem desses sinais. Os astrônomos usaram equipamentos robustos para a análise, como o Telescópio FAST, que mede quase 500 metros de diâmetro, sendo o maior radiotelescópio de antena única da Terra.

Rajadas Rápidas de Rádio

Para entender melhor, as rajadas rápidas de rádio (FRB) são emissões de rádio que acontecem em flashes intensos de um milissegundo. A descoberta foi datada em 2007, após uma revisão de dados de 2001 registrados pelo radiotelescópio australiano de Parkes. Os eventos FRB podem ser pontuais, ou seguir ciclos que duram semanas ou até meses.

Esses sinais normalmente vêm de fora da nossa galáxia (extragalácticas), mas também já foram observados dentro da Via Láctea. A sugestão é que os pulsos de rádio sejam gerados por eventos cósmicos energéticos.

Teorias conspiratórias já sugeriram que esses sinais seriam contatos alienígenas. Já imaginou? Apesar dos sinais de rádio serem extraterrestres, vindo do espaço profundo, não é dessa vez que algum ET está se comunicando com os humanos.

Mas vamos deixar a ficção para os filmes de Steven Spielberg. No geral, a teoria mais aceita é que os sinais FRB têm como fonte os eventos naturais espaciais. Ou seja, possivelmente a origem seria em ambientes intensos em torno de estrelas ou supernovas, por exemplo.

Mais um passo para a origem

Na nova pesquisa publicada na Science, o time de astrônomos guiados pelo professor Li Di mediu a polarização de cinco FRBs repetidos — ou seja, aqueles que pulsam por algum tempo, ao invés de eventos únicos. E usou estudos já existentes para analisar mais 16 FRBs repetidos, em um total de 21 FRBs.

No estudo, foram utilizados dois equipamentos: o Telescópio Robert C. Byrd Green Bank, na Virgínia Ocidental, e o Telescópio Esférico de Abertura de Quinhentos metros (FAST), em Pingtang Condado, China.

Por meio da observação dessas polarizações, os autores descobriram um padrão magnético incorporado nos sinais de rádio, caracterizado pelo ambiente em que ele é "originado". E essa descoberta é importante porque pode ajudar a restringir as possíveis origens desses pulsos.

Supernovas caóticas ou estrelas antigas

Os pesquisadores sugerem que a detecção de uma luz fortemente distorcida pelos campos magnéticos provavelmente é a indicação de fontes em ambientes mais turbulentos. Ou seja, origens ligadas à precipitação de supernovas recentes, por exemplo.

"Essas propriedades indicam um ambiente complexo próximo aos FRBs repetidos, como um remanescente de supernova ou uma nebulosa de vento pulsar, consistente com o fato de terem surgido de populações estelares jovens", explica o artigo publicado no site da revista Science.

Mas também existem as polarizações mais ordenadas. E essas indicariam que as fontes desse FRBs seriam de eventos em ambientes menos caóticos no espaço. "O ambiente sendo menos turbulento, denso e/ou magnetizado do que o de outros FRBs, seria esperado para uma população estelar antiga", de acordo com o artigo.

Frequências altas e baixas

A equipe de Di notou diferenças entre os resultados das frequências mais baixas e as mais altas. Tanto que o time não encontrou dados de polarização utilizando o FAST — que se guia por frequências mais baixas.

No entanto, quando os cientistas observaram os dados em frequências mais altas, emitidos em outros observatórios, a equipe notou algo interessante. Os comprimentos de onda mais curtos eram mais propensos a mostrar os efeitos polarizados dos campos magnéticos. Ou seja, os FRBs repetidos estavam se tornando "despolarizados" em frequências mais baixas.

E isso pode estar relacionado com os caminhos imprevisíveis que a luz pode seguir em um ambiente magnético intenso. Comprimentos de onda de rádio mais longos são mais propensos a serem espalhados em diferentes direções no espaço. Esse pode ser um dos motivos para explicar por que a equipe observou despolarização em bandas de frequência mais baixa.

Vale lembrar que os cientistas ainda buscam respostas mais completas para entender a origem desses sinais por meio de suas pesquisas, já que esse processo de descoberta ainda não foi encerrado.

Fonte:Tilt Uol

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